Diário do Comércio
27 de março de 2007

 
FONTE DE RENDA GERA R$37 BILHÕES
Artesanato sustenta milhares de famílias e envolve 11,5 milhões de pessoas
 
 A atividade do artesanato vem ganhando cada vez mais espaço na economia brasileira. De acordo com pesquisa realizada pela La Mídiagrupo, com 4 mil artesãos, o setor movimentou R$37 bilhões no ano passado, cerca de R$9 bilhões a mais do que o valor registrado pelo estudo anterior, elaborado em 2002.Só a Hobbyart –Feira Internacional das Indústrias e Fornecedores de Produtos para Hobby Criativo, Artes e Artesanato, que será realizada nesta semana
Peter paiva produz mais de 300 artigos diferentes, de sabonete a xampu.
(entre os dias 28 e 31) deve gerar negócios da ordem de R$930 milhões, volume 10% maior do que o registrado na edição de 2006, segundo o presidente da Mídiagrupo, empresa organizadora do evento, Eduardo Vidal.
 A feira deve receber 75 mil pessoas vindas de todo o Brasil, América Latina, Estados Unidos, Ásia e Europa. Estima-se que o segmento envolva, no total, 11,5 milhões de profissionais no País. A atividade também se destaca como a principal maneira de sobrevivência de muitas famílias. Cerca de 40% dos entrevistados pela Mídiagrupo afirmaram que a venda de seus produtos é a principal fonte de renda da família.
 Empreendedores – Segundo Vidal, 90% dos profissionais envolvidos com artesanato são mulheres, com idade entre 35 e 44 anos. Outro dado mostra que cada artesão gasta entre R$51 e R$250 mensais com matéria-prima, valor considerado alto e que desperta a atenção dos fornecedores.
 “O perfil do artesão está muito mais empreendedor. Além de cobrar das indústrias o desenvolvimento e lançamento de produtos, ele cria novas técnicas para suas práticas, posiciona seu produto no mercado, fortalece a marca, se preocupa com concorrência, preço e até exportação”, diz.
 Um exemplo dos profissionais com perfil empreendedor é o arquiteto e artista plástico Peter Paiva. Após sete anos trabalhando com design em glicerina, ele desenvolveu um amplo mix de produtos para banho de marca própria. Seu diferencial está na habilidade e no prazer em desenvolver itens personalizados.
Na lista de produtos, o cliente encontra sabonetes glicerinados com polpa de frutas como morango, abacaxi, limão e mamão papaia com laranja, além de cremes e xampus. “Ao todo são 300 tipos de produtos artesanais diferentes.” Segundo ele, o lucro em cima de um sabonete pode chegar a 300%.
Denise Menghelo: o que começou como hobby, em 1999, virou uma empresa que já exporta.
Pintura em seda – Já a artista plástica Denise Menghelo começou a pintar seda como hobby em 1999. “Viajava todos os anos para o exterior para conhecer novidades e comprar tintas. Com o tempo, passei a ministrar aulas de pintura para pequenos grupos de amigos”, relembra a artista.
Segundo ela, as tintas para pintura em seda eram todas importadas. “Por isso procurei um químico para desenvolver uma linha própria, batizada de Prince”, conta. Hoje, os produtos de Denise são até exportados para a Argentina e Portugal, e sua empresa cresceu 20% em 2006 sobre o ano anterior. Em 2006, a empresa vendeu 250 litros de tinta por mês.
Pintura em Seda
Vanesa Rosa

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